“Dialogando” com terfs

imaginem esse diálogo (fictício):

“<A> Eu sou homossexual.
<B> Mas como você sabe que é homossexual?
<A> Bom, eu sinto atração por pessoas do mesmo sexo.
<B> Mas o que é sentir atração por pessoas do mesmo sexo?Basicamente, do ponto de vista das terfs:
<A> Não sei explicar muito bem… eu simplesmente sinto.
<B> E você faz disso uma identidade militante?
<A> Sim.
<B> Por quê?
<A>Porque eu sofro violência e discriminação cada vez que eu expresso e me relaciono com as pessoas de acordo a como me sinto. Porque nossa sociedade privilegia pessoas heterossexuais.
<B> Você está dizendo que eu, que sinto predominantemente atração por pessoas consideradas “do sexo oposto”, sou privilegiada?
<A>Em alguns aspectos sim.
<B> Isso é um absurdo! Você está dizendo que por algo tão vago, quanto nossos sentimentos subjetivos, uma pessoa pode ser privilegiada ou oprimida na nossa sociedade? Onde que fica a materialidade? Isso é individualismo liberal!
<A> Mas…
<B> Sabe o que eu acho? Pessoas homossexuais REFORÇAM os estereótipos de gênero.
<A> Como assim?
<B> O fato de você só se relacionar com pessoas do mesmo sexo pressupõe que o mundo continue se dividindo em 2 sexos. Vocês reforçam essa divisão, ao invés de abolí-la!
<A> Mas você que é heterossexual não faz a mesma coisa?
<B> Eu não nasci heterossexual, a sociedade me IMPÔS a heterossexualidade. A gente não sai simplesmente “escolhendo” como vai sentir. A sociedade nos socializa e nos marca dentro desses padrões.
<A> Mas eu também não “escolhi” ser o que sou
<B> Mas você continua reforçando a divisão dos gêneros com base em quem você se relaciona, ao invés de abolir essas categorias!
<A> Mas o que eu sinto…
<B> Dar relevância ao que você sente é individualismo liberal. Nossa luta
coletiva precisa ir além ‘do que sentimos individualmente’.
(fim da conversa fictícia).

Agora voltem a fita na conversa, e
Troquem os termos: “Homossexual” por “pessoa trans”.
Troquem: “sinto atração por pessoas do mesmo sexo” por “não me reconheço no gênero que me assignaram quando nasci”.
Troquem: “Heterossexualidade” por “cisgeneridade”.
Troquem: “reforçam a multiplicação do mundo em 2 sexos ao invés de abolí-la” por “incentivam a multiplicação dos gêneros, ao invés de destruí-la”.

Essa é a experiência de “conversar” com uma terf sendo uma pessoa trans.